O briefing veio uma porcaria? Infelizmente, é comum. Passo por isso até hoje e, sinto dizer, mas se você estiver no comecinho da carreira, se deixar, vira rotina.
Antes que isso te gere dor de cabeça, dá uma lida aqui e descubra como escrever sem briefing completo, mesmo quando o cliente mete um “faz aí”.
“Me surpreenda”
Você abre o e-mail (ou Trello, basecamp, asana, seja lá qual for o seu carma em forma de plataforma) e, eba! Tem job novo! Aí você lê o briefing e ele está mais ou menos assim: “quero algo diferente, mas igual o que tal marca fez… faz aí, uma coisa legal”.
Se te deu até uma risadinha nervosa, tamo junto. Isso é mais comum do que parece. E se você já se viu assim, com um job na mão e sem ideia do que fazer, calma. Tem jeito, sim.
Vou te mostrar como escrever sem briefing (ou quase nenhum). Bora?
O que custa escrever um briefing, cara???
Vamos ser sinceros? Se você trabalha numa agência ou hub de criação, o correto seria vir todas as informações que você precisa.
Só que: pessoas são criaturinhas extremamente complicadas. Principalmente quando o asssunto é comunicação. Se você tá como freela e lida direto com cleinte, sabe do que tô falando.
Como uma regra quase geral, o briefing vem todo torto, porque as ideias do cliente estão meio tortas também. E quando ele não vem é porque ele realmente não existe: o cliente não sabe o que quer ou, pior, não sabe o que a usa marca precisa.
Tá, mas e agora? Escrevo sem briefing?
A maioria dos cursos ensina como seguir briefing. Mas e quando o briefing fica com deus?
A real é que muita gente manda job com meia informação, tudo solto, sem objetivo claro por n motivos, conhecidos e desconhecidos. E isso gera o quê? O temido bloqueio. E retrabalho.
Mas ó, dá pra virar esse jogo, o truque é você ler o que não tá escrito. Aquela entrelinha que ninguém vê, mas que esconde o caminho, sabe? É nessas horas que você, redator, precisa assumir a sua dupla personalidade: a de vendedor afiado.
Eu nem sabia que queria…
Talvez você não seja dessa época (entregando minha idade de graça aqui), mas lembro bem como eram os vendedores até alguns anos atrás.
Conheci um excelente vendedor na época de ouro das lojas de calçados. Ele tinha mais que uma boa lábia.
Ele sabia o que eu queria e sabia que, talvez, não era bem o que precisava. Lia as minhas expressões, analisava o contexto e me apresentava os pares de sapatos que achava que funcionavam pra mim. Eu nem sabia que queria tênis amarelo pra fazer reuniões e comprava mesmo assim.
Entende onde quero chegar? Eu era o cliente que dava briefing meia boca. Ele era o cara que resolvia com pouquíssima, quase nenhuma informação.
Minha vida melhorou um tico quando passei a agir como ele na criação.
Escrever sem briefing dá trabalho, mas resolve
Mesmo quando parece que não tem nada, sempre tem alguma coisa ali. É só prestar atenção:
- Quem é o cliente? É uma marca séria, descolada ou é mais o tipo conservadora? A vibe dela já diz muito sobre o tom de voz que você vai precisar seguir nos textos.
- Pra quem é o conteúdo? Jovens? Mães? Profissionais da área? Saber isso muda tudo até na hora de criar o visual de alguma peça, se for o caso.
- Qual a dor (ou vontade) por trás do job? Nem sempre tá dito, mas tá ali, e se o cliente não sabe, você ainda sai na frente construindo sua reputação como especialista.
- Qual o clima que a peça precisa ter? Empolgante? Emocional? Direto ao ponto? Isso ajuda muito na hora de escolher que palavras usar.
- Tem alguma referência ou concorrente que a marca curte (ou quer fugir)? Euzinha sempre preferi olhar o que o cliente definitivamente NÃO quer, antes de ver as marcas que ele curte. Me poupa muita refação.
- Tem algo que claramente não combina com a marca? Isso aqui já me salvou demais também. Existem caso de o gerente de marketing quer tal coisa, mas isso é completamente destoante do que a marca que ele representa de fato é.
Mini Matriz de Direção Criativa
Ainda com dúvida? Monta uma tabelinha rápida com o que você pescou:
| Elemento | Pista captada |
|---|---|
| Tom de voz | Jovem, leve, com uma pitada de humor |
| Emoção desejada | Curiosidade + vontade de ir conhecer |
| Ação esperada | Visitar o evento ou clicar no link |
| Estilo de referência | Visual clean tipo IKEA ou Tok&Stok |
| O que evitar | Termos técnicos ou linguagem difícil |
Já dá uma luz, né?
Perguntas mágicas que destravam qualquer job
Tá perdido? Faz essas três perguntinhas básicas (nem que seja só na sua cabeça mesmo):
- O que o cliente quer que o público FAÇA depois de ver isso?
- Qual o clima ou sentimento que a peça tem que passar?
- O que essa marca JAMAIS gostaria de comunicar sem querer?
Essas perguntas já clareiam um baita caminho. A partir delas, você começa a montar hipóteses que fazem sentido.
Como usar IA como parceira (e não muleta)
A IA, tipo o ChatGPT ou o copilot (eu tô testando as duas, o chat gepeto continua na frente), é aquela dupla boa de brainstorming. Sozinha ela não resolve tudo(deixa bastante a desejar, na verdade), mas te dá pistas e empurra a tua criatividade.
É a sua dupla pra fugir do bloqueio por falta de informação.
Exemplo de prompt:
“Sou redator(a) e o cliente X pediu uma campanha de Verão, mas não deu informações. Faça uma busca e me apresente o que o cliente X costuma defender nesse período.”
Veja, nesse prompt eu não pedi que a IA resolvesse pra mim. Pedi insights. Essa é que deve ser a função do seu robôzinho.
Ele busca as informações pra você, cospe ideias, tons e abordagens. Depois, você lê, separa o que presta, e molda do seu jeito.
Dá até pra criar o tal briefing inexistente.
Usa a IA pra:
- Simular o que o briefing poderia dizer
- Testar tons de voz que a marca já usa
- Criar listas rápidas de ideias
- Explorar ângulos que você não pensou
Mas sempre com filtro criativo ligado. IA não substitui olhar de gente criativa.
Bora testar? Case simulado
Briefing recebido: “Quero divulgar um evento da minha loja de móveis.”
Você lê e pensa: “E aí? O que eu faço com isso?”
Etapas do raciocínio:
- Loja de móveis = provavelmente quer mostrar produtos.
- Evento = pode ser promoção, lançamento, bate-papo? Deixar genérico funciona melhor aqui.
- Emoção desejada: fazer o público sentir que tem algo novo e legal vindo aí.
- Público: gente interessada em decoração, design, ambiente bonito.
- Inspirações: IKEA, Tok&Stok, vibe leve e moderna.
Resultado que saiu:
“ESPECIAL A CASA É SUA
Participe do nosso evento.
Novidades que lançam conforto no seu lar.
Ok, o resultado não tá 100%, mas percebe? Mesmo sem briefing decente, dá pra construir alguma coisa.
Quando vale a pena pedir mais info (e como fazer sem ser chato)
Nem todo job dá pra salvar na marra. Às vezes, o cliente realmente precisa te dar mais coisa. E tudo bem pedir!
Sinais de que você precisa de mais briefing:
- O job não tem objetivo.
- Quando pedem urgência, mas não explicam o que é.
- Quando o pedido fere a marca, tipo uma empresa de funerária séria pedir uma campanha pra redes sociais em tom de humor ofensivo.
Criar também é saber ouvir o silêncio
Às vezes, o cliente não fala, mas a marca fala. O contexto fala. As entrelinhas… Ser criativo também é saber interpretar o vago.
Tá com briefing travado? Me manda. A gente desenrola junto.


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